terça-feira, 29 de maio de 2012

ALICE ESCORREGA NA PRÓPRIA LÍNGUA

A TEMIDA IMPULSIVIDADE TDAH


Língua ferina, boca frouxa, mal-educado, fofoqueiro, incoveniente ... e muito mais coisas de uma imensa lista de outros nomes que somos taxados por sermos assim... um tanto impulsivos. Claro que no meio de tanta coisa existe também a personalidade e os valores de cada um , mas atropelamos as pessoas frequentemente e muitas vezes "quase sem querer". Muitas vezes já pensei em cortar um grande pedaço da minha língua pra ver se resolve , até que seria uma solução rápida mas inútil pois só faria me mutilar em vão. Então resta-me trabalhar esse ponto até me exaurir já que falar sem medir as consequências e agir com impulsividade na maioria das vezes causa situações constrangedoras, desnecessárias e desgastantes. Além disso, mesmo quando estamos cobertos de razão , temos que entender que por tras de um acontecimento existem várias verdades e a nossa é só mais uma delas e que depois da grande explosão causada por algumas "palavrinhas fujonas" temos que administrar nossa própria consciência repetindo, como um mantra a nos torturar, todas as besteiras dos últimos minutos, principalmente quando não era exatamente aquilo que gostaríamos de ter dito . Tropeçar na própria língua é um acontecimento inglório que nos faz cair mais uma vez no infinito buraco que sempre insistmos em cair perseguindo aquele apressado coelho de casaca. Acorda Alice , nem sempre dá para dizer tudo o que se sente e o que se pensa , nem nos nossos sonhos mais esquisitos.







domingo, 6 de maio de 2012

ALICE COMEÇA A VENCER O JAGUADARTE

TDAH 1 X 10 CEREBRO

Tenho tentado reagir às minhas limitações em vez de continuar me lamentando por não consegui. Já que consegui uma certa estabilidade emocional no meu trabalho (não posso dizer o mesmo da minha vida amorosa , página de outro capítulo), tenho tentado me dedicar mais aos estudos. Estudar pra mim sempre foi uma verdadeiro martírio , não pelo fato de eu não gostar mas porque é algo obviamente que exige concentração, dedicação e disciplina , algo escasso em mim e na maioria de vocês. Sempre achei que fosse preguiça ou coisa do gênero , pensamento que vai contra a minha chama intensa e eterna de querer sempre mais de tudo , o que não se encaixa com a personalidade de alguém preguiçoso. Gosto muito de ler livros , se não gosto da leitura , não adianta insistir pois não consigo seguir em frente , só quando é imprescindível. Quando gosto, tenho mania de olhar as páginas, quantas tem, quantas li e quantas faltam. Sinto prazer nisso , não me pergunte o porquê. O fato é que não consigo controlar esse meu impulso. Assim, resolvi adaptar isso às listas , cada vez mais necessárias a alguém tão esquecido. O que fazer então para não esquecer das listas? preguei na parede do meu quarto perto da minha cama. depois fiz uma listas dos assuntos que tenho que estudar e agora me sinto estimulada em riscar a cada tópico que termino. Outra coisa que comecei a determinar nos meus momentos de estudo é estabelecer uma relação de recompensa. Como estudo no computador , fiz uma relação com a "obrigação"/estudar com o que gosto de fazer nele/jogar e assistir ao meu seriado preferido (Dexter). Então, só mereço fazer o que gosto quando cumpro minhas obrigações, como uma recompensa e não deixa de para mim ser um desafio , um tipo de jogo mental contra mim mesma.Tem funcionado por enquanto, mas obedecendo o meu próprio ritmo. Espero que continue dando certo pois já consegui marcar um ponto contra o meu próprio cérebro. 

domingo, 22 de abril de 2012

ALICE PÓS-GUERRA

Resiliência TDAH :
Ser resiliente quando se tem uma baixa tolerância à frustação pode se tornar uma produção Hollywoodiana para um TDAH. Digamos que já consegui algum sucesso em grandes eventos da minha vida , por isso podemos dizer que sobrevivi a eles sem detonar a cidade de Nova Iorque. Olhando para trás , quando tive a minha última grande crise , que acarretou, entre outras coisas, uma depressão medonha , ou na minha vida , a Décima Guerra Mundial, pude tirar muitas coisas boas e importantes quando a poeira abaixou e quando as tropas inimigas se foram. Entre os escombros descobri a minha condição de TDAH, procurar ajuda e me tornar uma pessoa bem melhor do que era , mais consciente, menos egoísta e mais controlada. Pode entender tantas coisas sobre mim e sobre os outros , como também precebi tantos bons amigos ao meu lado, que não tive outra opção senão lutar contra a frustação e a tristeza. Revolvi o que sempre protelava e mudei alguns pontos da minha vida que não estavam dando certo em vez de sofrer demais como um romântico do Século XIX, em vez de continuar me comportando como um zumbi decadente ( logo eu que nunca paro), resolvi tomar as rédeas da minha vida (pelo menos aonde pude). Você pode pensar : parece fácil. Claro que não é, mas qual é a graça se seria? Enfim , não sou uma "Pollyanna" (de Pollyana Moça) mas a gente pode escolher entre viver com a cabeça enterrada num buraco raso ou cair profundamente num buraco que te levará para um mundo maravilhoso e cheio de desafios , a escolha é sua.

quinta-feira, 29 de março de 2012

PARABÉNS , ALICE!!!!

1 ANO DE BLOG.

Nem acredito que consegui tocar esse projeto (por razões meio óbvias). Um ano de blog e posso dizer que estou muito satisfeita com o resultado. Como já postei antes, em princípio a minha intenção quando comecei a escrever era a despretenciosa idéia de fazer um manual de instruções de mim mesma para as pessoas mais chegadas (principalmente por minhas trapalhadas homéricas) quando descobri que tinha TDAH. Também entrei na rede porque gostaria de compartilhar e trocar informações com pessoas que viviam os mesmos problemas desse transtorno. Continuei com o meu próprio rítmo , não obtive muito êxito enquanto manual mas recebi algumas mensagens que me encorajaram a continuar e hoje estou aqui muito feliz porque não consigo mais não me ver como Alice. Esse Blog virou meio que um olhar diferente de mim mesma, continuação da minha terapia.e uma maneira de interagir com as mais diferentes pessoas. Gostaria de agradecer todas as pessoas que de alguma maneira contribuiram para o sucesso desse projeto, seja apenas lendo, comentando ou criticando. Sejam bem vindos ao Mundo de Alice e muito obrigada pela força, pois continuarei, graças a vocês , a minha saga entre o mundo real e o País das Maravilhas.

quinta-feira, 22 de março de 2012

ALICE X PESSOAS

A BAIXA AUTO ESTIMA TDAH.

No mundo de Alice , um diagnóstico preciso na infância pode ser a diferença entre se tornar um adulto confiante de si ou não. Pessoas com TDAH que não são diagnosticadas na infância sofrem a vida toda recebendo todo o tipo de rótulos e geralmente são hostilizadas e se tornam hostis no mundo bem adverso do seu. Geralmente pessoas não conversam com coelhos de casaca nem se ausentam para viajar por outros mundos. Nossa mente corre incessantemente em busca de aventuras , nos dispersamos com muita facilidade das nossas obrigações , das regras , das outras pessoas... enfim , dificil é controlar esse furação que existe dentro de nós. Numa vida cheia de fracassos , foi muito difícil para mim criar mecanismos para sobreviver a algo que estava fora do meu controle e que eu nem sabia o que era. Sempre coloquei a "culpa" em mim mesma , rejeitando isso que existia dentro de mim , que me impossibilitava de manter o foco nas atividades diárias. Achava que simplemente era preguiça e sempre fui taxada de pavio curto , gênio ruim, agressiva e revoltada . De tanto as pessoas falarem acreditei realmente que era exatamente assim. Por que não consegui me relacionar com os outros sem feri-los , sem intempestivamente dizer coisas no calor da emoção ou simplesmente fazer barulho por nada.? Hoje , por mais que esteja administrando melhor meus sentimentos, tenho receio de muitas coisas , sinto-me insegura em relação a mim mesma, tenho uma auto estima baixa e desenvolvi uma ansiedade que muitas vezes me corroe por dentro. Tenho fobia social , sofro toda vez que tenho que me aventurar em um novo ambiente , me fecho como um caracol e só me sinto à vontade quando estou com meus amigos íntimos. Na faculdade , quando tinha um trabalho em grupo ou fazer uma apresentação para a turma sofria desde o primeiro momento em que era comunicada pelo professor até dias depois da apresentação pois não consigo controlar meus pensamentos quando falo em público e geralmente o resultado é desastroso. Não é à toa que Alice não tenha pudores em conviver com criaturas estranhas do Mundo subterrâneo, na realidade ela se sente mais parecida com eles.

quinta-feira, 15 de março de 2012

VIDA DE ALICE

TALVEZ SÓ AS MÃES SEJAM FELIZES.

Seres tão maravilhosos e em muitos momentos perfeitos mas que em outros nos ferem de morte. Não levem para o lado pessoal , mães TDAHs ou de TDAHs ou não. Estou aqui falando como filha que nem tem filhos ainda. Não pretendo aqui neste Blog cientificar nada, nem ser a dona da verdade ou me fazer de maior vítima da humanidade , apenas exponho meus sentimentos e tento compartilha-lhos com vocês que me leêm nesses momentos. Minha mãe não aceita meu diagnóstico (acontece muito ainda com os pais de filhos com TDAH) nem a possibilidade de sua filha não ser "perfeitinha" , apenas ignora o fato de que não sou igual aos meus irmão como nenhum irmão é. Não posso viver minha vida como ela acha que é (conflito mais casual entre pais e filhos). Por que não digo isso a ela ? Já falei milhares de vezes, inclusive que não sou mais o bebê da mamãe. Até aí , normal. No começo, quando descobri a possibilidade de ter TDAH, tive a ideia de escrever num Blog para fazer uma espécie de manual de mim mesma para quem convive comigo pois sempre tive a dificuldade de me fazer entender e até mesmo de fazer com que as pessoas me levassem a sério pois sempre recebi os mais variados rótulos que um ser humano poderia receber e ainda sim continuo tentando descola-los da miha pele , alguns se borraram e continuam com aquela cola preta de séculos , impregnada como uma sujeira , escura , para me lembrar a quê ela sempre pertenceu. Alguns foram embora com a minha infância mas muitos deram lugar a esses. E , finalmente alguns , continuam aqui bem visíveis como uma tatuagem e talvez só possa sair com algumas sessões de laiser. Voltando ao Blog, para a minha frustação pessoal não posso contar muito com a leitura de meus familiares e amigos que não demonstraram interesse algum por ele (Come exceção do meu namorado, estudante de psicopedagogia ). Com algum tempo , esse Blog virou uma espécie de complemento da minha terapia , e confesso que me senti bastante realizada quando percebi que pessoas desconhecidas acessam meus posts e fico muito feliz quando recebo comentários, sejam eles quais forem, e de sentir que posso compartilhar tudo isso com as mais variadas pessoas da rede. Quando a minha mãe , família e amigos que não compartilham isso comigo, continuo amando-os mais do que nunca pois aceito suas escolhas e posso dizer que agradeço a imensa sorte de tê-los em minha vida.

domingo, 4 de março de 2012

ALICE...QUEM É ESSA?

CAOS TDHUMANO.

 Hoje eu não sou Alice, não sou Giselle, não sou ninguém em especial. Sou apenas alguém que se sente injustiçada por outro que se sente injustiçado. Tenho meus motivos e todos têm os seus. Numa guerra todos lutam por seus territórios e muitas vezes pelos dos outros também. Na vida também vejo que é assim. Mas exatamente hoje, exatamente hoje que não sou ninguém , não quero ser nada e não sou nada em especial, nem a maior vítima da humanidade, nem alguém feliz; alguém "normal" (se é que a normalidade existe) nem alguém com TDAH. Sou apenas um número no IBGE, nas estatísticas que não mostram meus medos, meus sonhos , minhas mágoas , minhas frustações. Sou alguém que talvez ainda não tenha aprendido a amar ou que espera "muito" de quem se ama (mas o que é o muito para quem ama senão o infinito?).Talvez não saiba quem somos, nós humanos, mas principalmente quem sou além de uma ponto preto pra quem me vê lá de cima. Alguém que não se vê no mapa mas que abstratamente está em algum ponto minúsculo, imperceptível...  mas me vejo por dentro também embaçada, imperceptível para muitos, com um destruidor redemoinho a aniquilar os neurônios da minha cabeça, tento descobrir sentido para as minhas perguntas existênciais ... amassando meus sentidos tento expremer algo sereno no meio do caos e tento encontrar alguma substância onde possa classificar na tabela periódica , nas leis da física , na neurociência ou no dicionário. Acho que nem sei quem sou ao certo.E você que me lê, quem é?

domingo, 26 de fevereiro de 2012

UMA ALICE PARA VÁRIOS MUNDOS

A INCONSTÂNCIA  DO MUNDO TDAH

Um TDAH e seus vários mundos. Se pudessemos compartimentalizar nossos humores, anseios, projetos e desejos ... haveria muitas pessoas dentro da mesma. Todo mundo é assim , claro, desempenhamos vários papéis ao longo da vida. Não podemos fazer as mesmas coisas que fazemos em casa ou com nossos amigos íntimos no nosso ambiente de trabalho. O que diferencia as "Alices" no gênero feminino ou masculino é a inconstância nos mesmo ambientes , é a confusão de dentro de nós mesmo. Podemos váriar de engenheiros à poetas no mesmo dia. Eu , por exemplo, sinto uma dificuldade muito grande de me encontrar no sentido profissional pois flutuo no meio de vários projetos. Tento priorizar um ou outro mas minha cabeça não para de "girar". Faço psicoterapia há mais de um ano e consegui avançar bastante no convívio com as pessoas , acho que estou menos egoísta e mais organizada , até tenho uma agenda que habitualmente (entre altos e baixos) uso mas ainda não sei "o que quero ser quando crescer" mesmo depois de bem crescidinha. Os avanços nesse sentido têm sido muito escasso , o que não significa que eu, com a minha enooorme teimosia, vá desistir de acertar bem na cabeça da mosca. Alices percorrem coelhos de casaca , mesmo que as pessoas tendam a dize-las que isso não existe.    

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

ALICE RESPONDE AOS "LEIGOS"

RESPOSTA AO COMENTÁRIO DO SR. IVAN MONTICELLI JR.(ver em comentários à direita)

O Blog "Alice luta diariamente contra os Jaguadartes" retrata a vida de Alice (que não é meu nome de batismo) , logo , uma espécie de fake (só no nome) , onde , eu relato e compartilho minhas experiências pessoas e meus sentimentos, uma montanha russa confusa e váriável. Não tenho a pretensão de ser uma expert em TDAH , até mesmo porque descobri que tenho esse transtorno depois de adulta e desde esse momento faço terapia e tento buscar respostas para meus questionamentos seja com a minha psicóloga ou através de pesquisas na internet e em livros especializados. Como TDAH que sou, não tenho muita paciência em me aprofundar no assunto mas basicamente sei que as pessoas não são iguais e além dos transtornos existe a personalidade de cada um e diversos fatores como as experiências vividas (no meu caso meus 30 anos de idade) e o apoio familiar (que foi muito importante para mim )... enfim , não digo que não sou egoísta, egocêntrica e muitas vezes insensível ( e quem não é ?) embora tenha trabalhado bastante esse ponto com quem convivo e peço a eles que me aponte quando me comporto assim (resultado de muitos tropeços e da terapia a que me submeto) também , como dito , tenho muitas coisas boas a oferecer (como todas as pessoas, inclusive os TDAHs... rs). Acho que já bati bastante a cabeça na parede para desistir agora em me relacionar . Me canso bastante , me sinto exausta mas essa é só a minha versão dos fatos pois tenho certeza que quem convive comigo teria outras coisas a falar e lá vem o trêm ... Tenho que defender meu lado , oras , mas minha mãe diz que André , meu namorado de 6 anos também é um santo como minha sogra também diz isso de mim por aguentá-lo, ou seja , nós nos merecemos ... kkkkkk . Amigos TDAHs , não desistam pois amar é possível . Companheiros e afins de TDAHs , bastante paciência uma cobertura dupla de disposição.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

FELÍCIA TDAH

O MODO TDAH DE AMAR
Amar ... palavra bem complicada no dicionário de um TDAH. Amamos, como tudo em nós , de maneira bastante intensa e muitas vezes viramos escravos desse sentimento. O pior é enxergar o outro de maneira nítida pois sua imagem é projetada em uma poça d'água , quando tentamos tocar essa imagem , ela se distorce em ondas até sumir. Cair em um buraco fundo não chega a ser um problema até sentirmos a dor da queda , o contato com o impetuoso chão. E saibam ... TDAHs apaixonados , o chão sempre aparece pra nos lembrar que ele existe. Para aqueles , objeto de nosso desepero (os que amamos) , se nos amam também pedimos paciência já que a nossa é bem escassa, prudência pois a nossa é mínima, clareza e sinceridade acima de tudo mas , ao mesmo, se aventure e se desprenda da realidade e venha voar conosco pois , isso , temos de sobra para oferecer ... Ainda posso concluir com meu estado de espírito tão debilitado hoje : Adeus à inocência do tempo imutável.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

ALICE E UM DIA DE CADA VEZ

SÓ POR HOJE EU NÃO VOU ...

Gastar ou comer por impulso ou ansiedade, chegar atrasada nos lugares, acordar em cima da hora ... enfim uma infinidade de coisas que , a grosso modo, parecem simples mas não são. Resolvi tomar as rédeas da minha vida e ir muito além do que assumir minhas dificuldades : enfrentá-las , como se enfrenta o Jaguadartes de todo dia. Já tentei várias vezes vencê-lo de uma vez por todas sem nunca mais ter que vê-lo e vejam só que continuo aqui, me rendendo às minhas frustações antigas pois os jaguadartes se multiplicam cada vez que ele vence. Não adianta fazer projetos e se determinar até perder as forças sem ir a lugar algum , temos que superar os desafios até chegar onde queremos , foi essa a conclusão que tirei desde a minha última cabeçada no fim da batalha , quando não havia mais tempo de consertar o que não fiz no passado. O coelho sempre me mostra o relógio , mostrando que estou atrasada para me encontrar com a duquesa, e que o tempo não perdoa nossos erros, nem quando caimos em buracos e vamos parar no País das Maravilhas. Dar valor ao limite do tempo presente parece bem razoável, portanto estou tentando viver um dia de cada vez.

domingo, 22 de janeiro de 2012

ALICE ESCALA MONTANHAS

PROBLEMAS : DO TAMANHO QUE A GENTE OS VÊ
Nessas minhas andanças por lugares estranhos, pude aprender uma coisa : as dificuldades sempre se tornam maiores quando a enxergamos sem procurar a solução para elas. Só depois de acabar a tempestade podemos ver os estragos que ela trouxe mas também podemos ver raios e trovões como uma ameaça maior do que podem causar diante de seus efeitos. Nós , DDAs, temos a tendência de ver as coisas muito maiores do que realmente são. Nos afobamos , sofremos , gritamos, choramos por algo que não era tão grande assim. Várias vezes temos a impressão de ver monstros no lugar de simples moinhos e nos precipitamos em destruí-lo quando, na verdade, se tivessemos apenas nos aproximado um pouco mais, teríamos visto o que claramente eram. Quando morremos afogados na beira da praia temos o horizonte inteiro diante de nós porque somos assim , exageradamente sentimos o mundo com a carne sem pele, sentindo o vento a nos ferir de morte. Não se precipite, você que está lendo e não é DDA, a nos julgar como a maioria faz e nem se acomode , você que é DDA e também lê esse post despretencioso de justificativas, pois o dia-a-dia é um exercício mental, nas coisas mais simples temos obstáculos como lembrar de nomes, atravessar a rua com cuidado, exercutar certas tarefas sem deixá-las no meio e etc, mas somos compensados pela nossa capacidade de nos superar, e estamos vivos pois o que é fácil para nós é tedioso e insosso. Temos o desafio de enxergar moinhos como moinhos, tarefas como tarefas, DDAs como DDAs, o que realmente somos e o que queremos ser um dia sem deixar de sermos nós mesmo.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

ALICE NA CORRIDA DE OBSTÁCULOS

MAIS UMA FRUSTAÇÃO POR CAIR DO CAVALO

Numa corrida de obstáculos Alice e seu cavalo deixam os outros para trás em questão de poucos minutos, em movimentos perfeitos , ágeis , como se eles fossem um único corpo, já consegue inclusive ver a linha de chegada lá , ainda um pouco longe , mas bem mais pertos de seus rivais que nem a consegue ver. Entretanto, chega um momento em que Alice se distrai com a paisagem, existem muitas árvores frutíferas, muitas flores e animais no caminho, e até o coelho branco vestindo uma casaca que corre apressado segurando um relógio, aparece-lhe vez por outra. Quando se dá conta , Alice , por distração, deixa seu cavalo tropeçar num obstáculo. Seu corpo é projetado para frente e ela vai parar num buraco enorme que havia no acostamento da pista. E ela cai, cai, cai ... vai caindo e tentando se agarrar em algo concreto e quando consegue pegar algo, este se desfaz como areia. Quando pensa que vai ficar eternamente caindo, esta encontra o chão, ou melhor , o teto , já que o lugar está todo de cabeça para baixo.Começa um estranho jogo de xadrez que quanto mais ela tenta se aproximar de algum lugar mais distante fica dele , por mais que tente correr , sempre continua no mesmo lugar . Quando não aguenta mais cai, adormece exausta e acorda em sua pista de corrida. Para a sua desagradável surpresa todos os cavalos a ultrapassaram , alcaçaram a linha de chegada e nada há mais a fazer do que chegar lá andando sem cavalo, sem pódio , sem medalhas. Assim, acontece com muitos DDA´s quando se aventuram em seus projetos, e assim acontece comigo na maioria das vezes. Mais uma vez , senti o peso de mais uma frustação por cair do cavalo antes do fim da corrida , mas continuo andando , tentando não cair por distração no mesmo buraco que sempre teimo em cair. Tento me condicionar a levar uma corrida até o fim e como já disse repetidas vezes , o que o TDAH tem de distraído , ele tem de persistente. E a moeda , um dia virará pro outro lado.

domingo, 1 de janeiro de 2012

ALICE SAÚDA O NOVO CICLO

Feliz ciclo novo.

Festas de final de ano. Já passei algumas viradas de ano muito feliz pois aquele ano tão ruim que se passava ia embora e finalmente aqueles pesadelos e sua escuridão iam embora com as luzes dos fogos, com as ondas do mar e todos aqueles rituais de comer , beber e vestir determinadas coisas. Outros , ficava no meio da multidão me perguntando porque eu não estava tão feliz como aquelas pessoas todas e me sentia mais só e esquisita do que os outros dias do ano. Hoje vejo a virada do ano como uma coisa serena pois é só mais um dia dos nossos dias , queremos colocar ordem em nosso caos dividindo nosso tempo em partes cíclicas de uma única vida mas a impressão que dá é que tudo se renova com a virada do calendário. Conclui que não preciso fingir estar feliz se não estou , nem no dia 31 de dezembro e nem em outro dia , apenas tenho a obrigação de tentar ser feliz porque estou viva e cada dia e ano que se vai posso desperdiça-lo por pelo menos não tentar.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

ALICE ABSTÉM-SE

Hoje não quero a sala dos espelhos
Hoje quero evitar os espelhos , não quero mundos de cabeça para baixo , jogos de xadrez. Tenho medo das imagens distorcidas que provavelmente encontrarei, algumas me chamarão para passear por mundos estranhos , e o mais incrível é que não me sentirei tão anormal perto deles. Mas ... hoje , não posso essas distorções porque estou confusa. Não sei em que espelho ficou a minha identidade em tantas imagens diferentes de mim mesma , talvez todas sejam minhas , todas elas são secretas e se difudem no embaçado das imagens e no embaralhado de cartas de baralho. Tem dias em que você foge dos conflitos , tem dias que quer resolver tudo de uma vez ... hoje quero apenas escondê-los embaixo do tapete e evitar a sala dos espelhos.

domingo, 25 de dezembro de 2011

ALICE QUESTIONA

TDAH e a confusão dos espelhos.

Mas uma vez chego a mesma questão : Crescer ou diminuir ? Sabemos o quanto os espelhos são perigosos mas não podemos evita-los. Assim é amar, viver ... não podemos evitar cair em buracos profundos , viajar para outro mundo onde tudo esteja de cabaça pra baixo, já que nem sei onde é o em cima e o embaixo, o lógico e o ilógico. Desde que me disseram que não existe ninguém normal , fico martelando se realmente não posso viver plenamente esses dois mundos que me aparecem. Será que as pessoas também não têm outros mundos e os escondem? Passei a vida escondendo meus mundos , me achando esquisita e feia, louca e desengonçada, quando descobri que minhas confusões :  TDAH  e minha personalidade. Mas também podemos chamar de  sonhar, amar , viver ... E que se viva a vida então.

domingo, 18 de dezembro de 2011

ALICE ESTAVA SÓ HOJE

RELACIONAMENTO TDAH : TEMPESTADES E CULPA

Caminho até chegar no topo de uma colina e observo o Mundo das Maravilhas lá de cima, aquelas criaturinhas todas tão elas , cada um de seu jeito, felizes e satisfeitas com suas concepções , com suas idéias. Fecho os olhos e imagino o que poderia estar fazendo no mundo real. De qualquer maneira , em qualquer um dos mundos , nesse momento sentiria-me só. Sou dependende de pessoas , sou dependente do amor delas. Os DDAs podem sofrer de muitas dependência , inclusive a afetiva. Esse tipo de dependência  me incomoda muito porque nesse momento sinto toda a fragilidade do meu ser. Preciso que eles demonstrem amor o tempo todo(coisa que sei que é exigir demais de qualquer um) , como uma ponte que preciso atravessar para me manter inteira. Tenho medo de virar uma "Felícia"(vide menininha ruiva ao lado esquerdo da página pra quem não conhece a personagem de desenho): sufocar coelhinhos certamente não é meu objetivo de maturidade mas , às vezes , me identifico com ela e seu afobamento , principalmente nos momentos "Alice sem noção". Assim parece que nada vai tirar essa necessidade deles(os DDAs) tão intensa , e a constante sensação de culpa em certos eventos. Depois de todas as trovoadas desnecessárias ,consigo ver que faço tempestades onde poderia ter cabido apenas uma garoa, uma chuvinha rápida. Magôo pessoas e elas me magoam porque na hora de discussões todos defendem seus pontos de vista atingindo um ao outro. A minha hipersensibilidade me faz sofrer ainda mais por multiplicar cada palavra em visões tridimensionais delas. Os DDAs costumam supervalorizar os fatos, e disso decorre uma sucessão de acontecimentos nem sempre felizes. Por isso , se alguém que convive com um DDA está lendo este post , tente ser a pessoa que releva , pois temos muitos momentos de tempestades e muitas outras de primavera , tudo envolto de muita sensibilidade e amor. Não uso o TDAH como desculpa de meus atos mas espero que as pessoas entendam que tento o máximo minimizar minhas limitações , dentre elas o impulso, o que faz muitas vezes algum ventinho teimoso fugir por alguma fresta da razão e se juntar com umas nuvenzinhas lá no canto , descansando preguiçosas, e aí o princípio da tempestade se inicia...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

ALGUÉM ME ACHOU POR AÍ?

TDAH E A VIDA PROFISSIONAL.

Quando eu era criança lembro que queria ser bailarina mas também austronauta, médica, secretária ... enfim, uma infinidade de coisas que as crinças pensam. Mudava sempre de profissão e minha mãe sempre dizia que tinha que estudar muito para isso, embora visitar aquele lugar tão inanimado, cheio de cores , de aventuras sem a preocupação de lógica , tempo , futuro... era muito mais atrativo para mim. Minha vida escolar sempre foi muito tumultuada como já relatei antes , vivia sempre sob forte pressão da minha mãe , principalmente no final do ano em que ela me ameaçava com desde do castigo de não brincar na rua (coisa que adorava)  ao internamento num colégio interno.Quando cursava o Ensino Médio estava com tanta dificuldade que até pensei em fazer um Supletivo , não o fiz porque minha mãe disse que ia se matar então me esforcei para acabar mesmo fora do tempo normal. TDAHs têm dificuldade de foco, isso muita gente sabe , mas eles nem sempre estão fadados ao fracasso , muito pelo contrário , quando acham a sua área espefícífica de atuação usam toda a sua criatividade e talento para tanto. TDAHs nunca desistem, isso é verdade. São persistentes naquilo que desejam, pelo menos até enquanto desejam. Na minha luta diária entre um Mundo e outro (RealxMaravilhas) tenho tentado conter a minha fabulosa máquina de sonhos e procurar ser prática no mundo real. A terapia tem me ajudado bastante em resolver algumas questões profissionais. Tenho até conseguido estudar, coisa que não fazia desde que concluir meu curso superior. Pois é, sou formada em História, mas os 4 anos de faculdade puseram por água abaixo toda aquela paixão  e agora não consigo sequer ler um artigo da matéria. Acho que talvez a impossibilidade de criar e recriar a História tenha me desencantado, pois a mesma é uma ciência , como também outras coisas que não convém escrever aqui. Também tentei cursar Artes Cênicas na faculdade mas acho que teria que ser muito bem resolvida nesse caso , me traumatizei totalmente com as aulas (apesar de já ter tido experiências positivas com o teatro) , a academia acabou com as minhas pretenções ideológicas e criativas. Eu abandonei por completo o curso meio sem ter certeza se fiz a coisa certa. Enfim, hoje , não pretendo fazer nenhum outro curso superior pois o sistema educacional realmente não combina comigo. E nos meus devaneios incontroláveis me peguei pensando hoje em fazer um curso de hardware , mas ontem queria tanto a área jurídica , enfim , preciso delinear as minhas paixões , pois  a bailarina sempre é muito graciosa mas no fim do espetáculo ninguém vê seus pés quando ela tira a sapatilha.

domingo, 4 de dezembro de 2011

ALICE E SUAS HISTÓRIAS COMICO-TRÁGICAS

micos de um TDAH

Imagine você com uma turma de amigos sentados numa mesa na beira da praia e você resolve dar um mergulho sozinha. Quando volta à mesa totalmente relaxada percebe que em volta da mesa existem caras perplexas olhando pra você e aí do outro lado, em outra mesa , seus amigos morrem de rir porque na verdade, você sentou na mesa errada. É bom rir dessas lembranças , mas na hora foi bem desagradável embora acredite que da minha coleção a pior delas foi a das malas.Estava eu,  alice , viajando sozinha , indo à casa de uma amiga numa cidadezinha, na fronteira do Uruguai com o Rio Grande do Sul. Como era muito distante de Porto Alegre e ela tinha uma filhinha de meses (inclusive um dos motivos de viajar para tão longe) teria que apanhar um ônibus de Bagé (onde ela morava) para o aeroporto de Porto Alegre para voltar para minha cidade de origem. Quis fazer diferente da minha mania de sempre resolver as coisas de última hora e comprei a passagem do ônibus uma semana antes, os asssentos estavam quase todos desocupados , então relaxei. Iria viajar de meia noite e chegar em Porto Alegre umas cinco horas da manhã , mais ou menos , tempo de até dormir um pouco. Chegado o fatídico dia , bem sentadinha na minha janelinha , onde gosto de viajar , eis que suge uma senhora enooorme , mais muito obesa meeeesmooo, tipo obesidade mórbida . Prontamente pensei : "Não , isso não vai acontecer comigo". Sim isso aconteceu comigo. Ela sentou justamente ao meu lado. Não falo isso por preconceito mas eu praticamente fui expremida no vidro da janela , não podia nem me mexer durante cinco terríveis horas , pois tinha colocado a minha bagagem de mão embaixo dos meus pés para não esquecer , já que me conheço muito bem. A viagem parecia interminável mas quando chegamos , eu tava tão indignada que tratei logo de descer e pegar o primeiro táxi que vi na minha frente. Pronto, tinha me livrado daquele pesadelo, podia mexer meus braços e minhas pernas novamente , segui para o aeroporto. De repente , ao avistar o aeroporto percebi que estava faltando algo muito importante : as minhas malas !!!! Sai tão distraída com a minha ira e medo de esquecer minha bagagem de mão , que esqueci minhas malas. Quando falei para o taxista que me olhou meio atônito, meio incrédulo, tivermos que ir à garagem da empresa do ônibus , onde estava lá , minha mala sozinha, abandonada e com os funcionários esticando o pescoço para ver o tipo de criatura que eu era. Passei a viagem inteira preocupada com o despacho dela, pois pegaria uma conexão em Guarulhos, e embora me afirmassem que a mala seria despachada para o próximo avião , eu não conseguia parar de pensar na mala , até tentei avista-la através da janela do avião. Quando finalmente cheguei super ansiosa para pega-la no meu destino final ... advinha qual foi a última mala da esteira? Demorei um pouco para contar as pessoas pois me senti muito mal com esse episódio e fiquei a viagem inteira me recriminando , chateada de como as coisas aconteciam sempre comigo desse modo. Pensei na ápoca em procurar um psiquiatra pois achava que tinha algo de errado comigo. Depos eu dexei pra lá , assumi pra mim mesma e para os outros e essa virou mais uma das minhas inúmeras histórias de trapalhadas que conto e me divirto com meus amigos.